Dario Amodei acabou de dizer a coisa que ninguém na tecnologia quer aceitar como verdadeira. A história à qual todos se agarram sobre a parceria humana-AI permanente? É ficção. Ficção reconfortante que contamos a nós mesmos enquanto o futuro real toma forma à nossa volta. Amodei: “A janela do ‘Centauro’ pode ser muito curta.” A demanda por desenvolvedores está explodindo agora. Salários competitivos. Empresas desesperadas por qualquer um que consiga aproveitar a AI de forma eficaz. Cada métrica visível sugere que os empregos se adaptaram e sobreviveram. Cada métrica está errada. Isso não é adaptação. Isso é o último suspiro antes de se afogar. Direcionado por humanos para totalmente autônomo não é uma ladeira. É uma borda de penhasco. A colaboração tem valor até que, de repente, não tem mais, e essa transição acontece em semanas, não em gerações. Amodei: “Não confunda o pico com segurança.” A parceria parece real porque é real. Agora. Desenvolvedores tomando decisões que a AI não pode tomar. Capturando falhas. Fornecendo contexto e julgamento. Criação de valor simbiôntico real. Isso gera uma demanda real por pessoas que se destacam nisso. Mas Amodei não vai fingir o que é óbvio para ele: essa demanda tem uma data de validade já visível no horizonte. Quando a AI completa projetos de forma independente, arquitetando soluções autonomamente, depurando sem supervisão, o humano não evolui para um novo papel. O humano se torna redundante. Não menos importante. Irrelevante. Amodei: “Automação total.” Não colaboração como destino. Extinção. O modo Centauro existe enquanto a AI domina a independência. A economia sustenta a participação humana até o segundo em que não sustenta mais, então colapsa completamente. Desenvolvedores assistindo a esse boom pensam que estão testemunhando uma transformação profissional. Eles estão experimentando o ciclo de emprego terminal antes da profissão se realocar completamente para o silício. Não estamos construindo parceiros que aprimoram o que os humanos fazem. Estamos construindo substitutos que eliminam o porquê da necessidade dos humanos. E a lacuna que separa “ferramenta colaborativa” de “substituição total” não está se fechando gradualmente. Está se estreitando violentamente, e a maioria das pessoas não verá isso chegando até que já tenha acontecido.